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Paciente que denunciou dentista suspeita de deformar clientes diz que ficou um ano sem conseguir mexer a boca e o pescoço: ‘Vontade de morrer’

Dentista é suspeita de deformar pacientes em GO; veja procedimentos Uma das sete pacientes que denunciou a dentista suspeita de deformar clientes em Goiânia d...

Paciente que denunciou dentista suspeita de deformar clientes diz que ficou um ano sem conseguir mexer a boca e o pescoço: ‘Vontade de morrer’
Paciente que denunciou dentista suspeita de deformar clientes diz que ficou um ano sem conseguir mexer a boca e o pescoço: ‘Vontade de morrer’ (Foto: Reprodução)

Dentista é suspeita de deformar pacientes em GO; veja procedimentos Uma das sete pacientes que denunciou a dentista suspeita de deformar clientes em Goiânia diz que ficou um ano sem conseguir mexer a boca e o pescoço após o retoque de um procedimento. A profissional Valéria Ribeiro está presa preventivamente, suspeita de realizar cirurgias sem a estrutura necessária para procedimentos de alta complexidade e deformar sete pacientes. Em nota, a advogada Caroline Bittar, que representava a dentista até esta quinta-feira (28), mas deixou a defesa, informou que, até o presente momento, não tinha acesso “à integralidade dos documentos que embasaram a operação”, e, por isso, não poderia dar uma resposta técnica completa (veja a nota completa no final da reportagem). O g1 não localizou a nova defesa da dentista. O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que a profissional possui registro ativo e que o conselho acompanha com atenção os desdobramentos do caso. Acrescentou que os procedimentos estéticos e cirúrgicos no rosto, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista na área (veja a nota completa no final). A paciente que não quis ser identificada disse que conheceu o trabalho de Valéria por meio das redes sociais e pagou R$ 16,5 mil por uma platismoplastia realizada em março de 2024. Ao g1, ela contou que faz tratamento psicológico até hoje para lidar com o que aconteceu. 🔍 Platismoplastia é uma cirurgia focada no rejuvenescimento do pescoço para correção de flacidez com o reposicionamento do músculo plastima. “Vontade de morrer. [...] Ela nunca deu um acolhimento, ela nunca deu uma ajuda, nada disso”, conta sobre sua reação após o resultado do retoque feito pela dentista. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Foto do do pescoço da paciente após o primeiro procedimento (à esquerda); pescoço após o retoque (à direita) Arquivo pessoal Nesta quinta-feira (28), uma operação cumpriu um mandado de prisão por lesão corporal grave contra a dentista e interditou a clínica em que ela atendia. Segundo as investigações, Valéria realizava cirurgias de alta complexidade em ambiente considerado inadequado e sem a estrutura necessária. Segundo a paciente entrevistada, não houve intercorrências na plastismoplastia, apesar de ela não ter gostado do resultado, que ficou com sobras de pele. Ela contatou a dentista, que informou que poderia realizar um retoque no mês seguinte. “Eu tive que esperar até junho para fazer o retoque, que ela disse que seria de 30 minutos e ela simplesmente fez um lifting facial sem a minha autorização”, conta. Ela conta que esperava fazer um procedimento rápido para a correção, mas ficou três dias realizando o procedimento no consultório da dentista. “Foram 12 horas no primeiro dia. No segundo eu fui, ela me 'abriu' e mandou para casa e na terceira, 6 horas. Um retoque que ia demorar 30 minutos, foram 18 horas no total”, lembra. Segundo ela, só descobriu sobre o lifting quando voltou para casa, em outro estado, pois a área onde o procedimento foi realizado ficava enfaixada. Resultado do retoque Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: PRISÃO: Dentista é presa suspeita de deixar pacientes com sequelas após procedimentos estéticos Dentista presa suspeita de deformar clientes tratou de paciente em casa após complicações em procedimento, diz polícia Lipo de papada e rinoplastia: veja procedimentos feitos por dentista presa suspeita de deformar pacientes em Goiânia Cirurgias e fisioterapias A paciente conta que ficou com muitas cicatrizes, perdeu a mobilidade do pescoço e tinha muita coceira. Segundo ela, Valéria apenas disse que “era o melhor que ela tinha dado e que não tinha mais o que fazer”. Hoje, depois de 25 sessões de cabine hiperbárica, tratamento com dispositivo que acelera a cicatrização, 50 de fisioterapia e três cirurgias plásticas de correção, que foram cobertas pelo plano de saúde, ela recuperou os movimentos e conseguiu corrigir algumas cicatrizes. Resultado após tratamento e cirurgias Arquivo pessoal “Para liberar o lóbulo e tirar a cicatriz total, teve que ser aos poucos, pois a cicatriz era muito larga [...] Estão sendo dois anos de luta. As cicatrizes ficaram muito horríveis, apesar de tudo que eu fiz de tratamento para as cicatrizes, foi bem sofrido.”, disse, Ela relata que ficou em choque e “em transe” quando soube da prisão. “Fiquei feliz, eu acho que a Justiça está começando a ser feita. Ela tem que pagar”, declarou. Lesões graves Mais pacientes denunciam dentista suspeita de fazer cirurgias irregulares Segundo o delegado Wladimir Freire, responsável pelo caso, a investigação contra a dentista começou em 2024, mas há relatos de vítimas que fizeram procedimentos em 2023. Desde que o caso veio à tona, mais três pessoas procuraram a Polícia Civil para denunciar Valéria. Valéria realizava cirurgias como rinoplastia e lipoaspiração de papada dentro de um consultório de sua clínica de estética em um bairro nobre de Goiânia, segundo a polícia. Em entrevista, o delegado Wladimir Freire disse que Valéria tem formação em odontologia, mas não é cirurgiã dentista. Segundo a Polícia Civil, as vítimas apresentaram: Infecções; Deformidades; Fibroses; Necroses; Cicatrizes permanentes; Outras sequelas graves. Além da prisão da dentista e da interdição da clínica, a polícia também fez buscas e apreendeu documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários, equipamentos. A investigação solicitou o sequestro de R$ 600 mil. Uma funcionária da dentista também foi presa em flagrante por obstrução de Justiça. Segundo a polícia, ela estava dificultando o procedimento de inspeção da Vigilância Sanitária e escondendo produtos. O g1 não localizou a defesa dela. Dentista Valéria Ribeiro foi presa suspeita de deformar sete pacientes, em Goiânia Reprodução / TV Anhanguera e Instagram Valéria Ribeiro Nota da defesa "A defesa da cirurgiã-dentista Valéria Ribeiro, representada pela advogada Caroline Bittar, vem a público esclarecer que, até o presente momento, não teve acesso à integralidade dos documentos que embasaram a operação policial deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Civil de Goiás. A ausência de acesso integral aos autos impossibilita, por ora, uma resposta técnica e jurídica completa aos fatos noticiados. Tão logo tenha acesso irrestrito à documentação, a defesa se manifestará de forma detalhada e fundamentada". Nota do CRO-GO "O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informa que tomou conhecimento, por meio de notícias veiculadas pela imprensa, da operação deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, nesta quinta-feira (28/05). A profissional em questão possui registro ativo no CROGO. O CROGO acompanha com atenção os desdobramentos do caso e ressalta que eventuais infrações éticas estão sendo devidamente apuradas no âmbito administrativo, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme estabelece a legislação vigente. As apurações neste Conselho correm sob sigilo. O CROGO esclarece que, em regra, os procedimentos estéticos minimamente invasivos de Harmonização Orofacial, como aplicação de botox e preenchimento com ácido hialurônico, podem ser realizados por profissionais da Odontologia, nos termos da Resolução CFO 198/2019. Por outro lado, os procedimentos estéticos e cirúrgicos na face (ex.: lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia, blefaroplastia etc.) só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF), conforme exige a Resolução CFO 286/2026, sob pena de responsabilização. O CROGO reforça seu compromisso com a fiscalização do exercício ético e legal da Odontologia, com a segurança da população e com a valorização dos profissionais que atuam dentro dos limites técnicos e científicos estabelecidos pelas normas da profissão. Conselho Regional de Odontologia de Goiás – CROGO". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás